Comportamento

O que Clarissa Pinkola Estés pode nos ensinar sobre “Conversas sexuais com as amigas”.

Você conversa sobre sexo com as suas amigas?

No livro MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS, Clarissa Pinkola (psicanalista junguiana diplomada e cantadora) sugere que: “Acrescentemos a nossa coleção de medicamentos para a depressão, raiva, rancor e tristeza, histórias engraçadas sobre sexo (obscenidades) “ e que fazer isso com as amigas, é o melhor remédio para uma possível melancolia.

Eu nunca tive muito “pudor” em falar sobre sexo com minhas amigas, nem mesmo com minha mãe e irmã, na minha casa esse assunto (entre nós mulheres) nunca foi tabu, talvez por isso a minha facilidade em dialogar sobre obscenidades em rodas femininas, e mais que isso, em adorar esse assunto quando estou em companhia feminina, principalmente se acompanhada de um bom drink 😉

Eu acredito, assim como descreve Clarissa no livro, que falar obscenidades com outras mulheres solta tudo que pode estar muito preso, dissipa a melancolia, traz o corpo a uma espécie de humor pertencente não ao intelecto, mas ao próprio corpo, de manter desobstruídas as passagens, ou seja, é libertador!

Sempre que estou entre amigas mais próximas, em algum momento é iniciado uma conversa mais “caliente” e após isso, quem estiver próximo começa a ouvir as risadinhas e ver o rubor nas faces daquelas mais tímidas, minutos depois as gargalhadas começam e torna-se difícil se conter. Só o fato de rirmos até chorar já nos liberta de qualquer sensação ou emoção ruim que estivéssemos sentindo no momento.

De acordo com Clarissa existe um aspecto da sexualidade feminina que nos tempos remotos, era chamado de obsceno sagrado, não na acepção que damos hoje em dia ao termo, mas com o significado de uma sabedoria sexual de uma certa forma bem-humorada. Ela acrescenta que havia cultos a deusas que eram voltados para uma sexualidade feminina irreverente. Longe de serem depreciativos, eles se dedicavam a ilustrar partes do inconsciente que ainda hoje permanecem misteriosos e em grande parte desconhecidas.

Conversas obscenas não precisam estar atreladas a vulgaridade, elas podem simplesmente serem vistas como conversas intimas com amigas, quem faz isso sabe que os risos rolam soltos, e que é um riso diferente, é exatamente como descreve nossa psicanalista, é como soltar o que está muito preso, dissipar algo travado, manter desobstruídas as passagens.

Clarrissa relata que quando começou a contar histórias de deusas obscenas, as mulheres sorriam e depois riam ao ouvir os feitos de mulheres, tanto verdadeiras quanto mitológicas, que haviam usado da sexualidade, da sensibilidade, para transmitir uma ideia, para amenizar a tristeza, provocar o riso, e desse modo, corrigir algo que estivesse desencaminhado.

Percebo, e acontece comigo vez ou outro, que há uma certa vergonha em falar sobre isso com outras mulheres. Me parece que é necessário desconstruir a ideia de que essa atitude é sinal de má educação para nós “menininhas”. No livro Clarissa também relata isso:

Percebi como essa atitude de “boa educação” nas situações erradas, realmente sufocavam as mulheres em vez de permitir que respirassem. Para rir, você precisa ser capaz de soltar o ar e inspirar de novo rapidamente. No riso a mulher pode começar a respirar de verdade e , ao fazê-lo, ela talvez comece a ter sentimentos censurados. E quais poderiam ser esses sentimentos? Bem, eles acabam não sendo sentimentos, mas alívio para os sentimentos e, em alguns casos, cura para os sentimentos, como por exemplo a liberação de lagrimas contidas ou de lembranças esquecidas, ou ainda a destruição das amarras que prendiam a personalidade sensual.

O mito Grego sobre a “deusa da obscenidade” Baubo (contado no livro) descreve de forma divertida como faz bem à alma o riso através da conversa sexual.

Vamos falar de sexo?

“ Deméter havia perdido sua filha Perséfone (que foi levada por Hades, o deus do inferno) e a muito tempo vagava em busca de sua filha querida clamando e chorando por sua volta, Deméter implorava por misericórdia, implorava pela morte, mas não conseguia encontrar sua filha amada. Deméter demorou para se render e abandonar a exaustiva procura pela filha, mesmo depois de amaldiçoar todos os campos férteis da terra, ela ainda continuava sua busca, estando já em estado lastimável ela afinal, perde as forças ao lado de um poço numa aldeia onde não era conhecida. E quando recostou seu corpo dolorido na pedra fresca do poço, chegou ali uma mulher, ou melhor, uma espécie de mulher. E essa mulher chegou dançando até Deméter, balançando os quadris de um jeito que sugeria a relação sexual, e balançando os seios nessa sua pequena dança. E quando Deméter a viu, não pôde deixar de sorrir um pouco. ”

“A fêmea que dançava era realmente mágica, pois não tinha nenhum tipo de cabeça, seus mamilos eram seus olhos e sua vulva era sua boca. Foi com essa boquinha que ela começou a regalar Deméter com algumas piadas picantes e engraçadas. Deméter começou a sorrir (como a tempos não fazia) depois deu um risinho abafado e em seguida uma boa gargalhada. Juntas as duas mulheres riram, a pequena deusa do ventre, Baubo, e a poderosa deusa mãe da terra Deméter. ”

“E foi exatamente esse riso que tirou Deméter da sua depressão e lhe deu energia para prosseguir na sua busca pela filha, que acabou em sucesso. ”

Acho esse conto fantástico! (Fiz um áudio dele inteiro, e de outros com o mesmo tema, baseados no livro, leia aqui e divirta-se)

Mulherada!!! Liberem essa energia e falem sobre sexo com suas amigas, mãe, filhas, irmãs. Tenham mais encontros femininos que possibilitem isso, falem mais sobre sexo, deem gargalhadas com histórias próprias, histórias do outro, fantasias e afins.

Chorem de rir e se libertem de qualquer sentimento preso, não é vergonhoso, não é feio, não é proibido. Por vezes, de forma inconsciente, você pode acreditar que é tudo isso mesmo e acaba não tendo esse “prazer” por pura vergonha de parecer “indecente”. Não é indecente, é divertido!!! Você não está fazendo nada de errado, tá tudo bem!

Dizem que antigamente as mulheres estimulavam os homens a fazerem uma excursão longa de pesca com o objetivo de ficarem sozinhas e na companhia de outras mulheres (hahaahahaha). Pena que isso se perdeu em muitas culturas, sou totalmente a favor desse espaço, claro que não é necessário que isso aconteça para nos darmos essa oportunidade, mas sei que para algumas mulheres é até automático esse processo de não se permitir ter um tempo com as amigas. Precisamos desse espaço, desse tempo, dessa conversa, dessa oportunidade.

“ A energia masculina é agradável. Ela é mais do que agradável; ela é exuberante, grandiosa”, mas ela por si só não nos preenche e às vezes é preciso soltar risos sexuais, que podem ser sagrados e medicinal para nossa alma, e nada melhor que uma amiga para isso.

Existem muitas mulheres que se entregam totalmente ao outro (família, companheiro (a), filhos) e tudo bem quanto isso, mas não podemos esquecer de nós e da nossa tão merecida conversa com nossas amigas. Há muitas mulheres reprimindo a sua essência feminina, a sua vontade, a sua necessidade de prazer, por imposições, preconceitos mascarados, rótulos criados, disseminados e que não fazem o menor sentido. Pare e pense: Que mal tem isso?

Vamos além, vamos fazer muito sexo e também falar muito sobre sexo! TENTE, você não vai se arrepender.

E não esqueça de ouvir o áudio com as histórias da Baubo para te inspirar.

E você? Fala sobre sexo com suas amigas? Com sua mãe? Filhas?

Conta aqui nos comentários e vamos rir um pouco. E se gostou do artigo, compartilha ele nas redes sociais, quem sabe assim aquela amiga envergonhada não se liberta.

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