Reflexões

Minha grande descoberta sobre ser mãe e fazer escolhas.

filhas

 

Em 2014, 12 anos depois de ser mãe pela primeira vez, eu resolvi escolher, sem medo de julgamentos, ser mãe em tempo integral e ter a maternidade como minha principal função.

“ Mas o que você está fazendo agora? Quando volta a trabalhar? Como teve coragem de largar sua estabilidade financeira? Quase 10 anos de empresa!? Que loucura! Não vai fazer mais nada!? ”

Essas e muitas outras perguntas eu ouvi e ainda ouço depois que resolvi escolher, SIM, escolher, pois até então eu não escolhia, eu apenas seguia.

Fui mãe pela primeira vez aos 20 anos e nessa época eu não tinha muito equilíbrio emocional, não sabia como lidar comigo mesma e cometi muitos erros como mãe, aos 26 anos fui mãe pela segunda vez e prometi para mim mesma e para minhas pequenas que dessa vez seria diferente, minha intenção era me dedicar totalmente as minhas filhas.

Quando engravidei pela segunda vez eu trabalhava no mundo corporativo e cumpri meus 9 meses de gestação me preparando para a chegada da pequena Maria Clara. Logo chegou a tão desejada hora do nascimento e a minha tão almejada licença.

Durante os 5 meses (licença maternidade + férias) cuidei das minhas filhas com toda a minha dedicação, sofri aqueles primeiros 4 meses em que não entendemos nada, onde nos sentimos escravas de nossas crias, onde cheiramos a leite e não gostaríamos de receber visitas (mas as pessoas insistem, pois dizem ser “tradição”), chorei por achar que não dormiria nunca mais, meu peito doía, meus pontos doíam, minha pequena chorava, minha mocinha queria atenção… (Ó Deus)…e eu não sabia o que fazer na maioria das vezes, mas eu sempre fazia algo.

Familiares me ajudavam sempre que eu precisava, estavam sempre à disposição, mas nada do que me diziam fazia muito sentido, eu não colocava em prática tudo que me orientavam e aquilo que colocava me parecia estranho, mas eu continuava.

Tive uma leve depressão pós-parto, me sentia feia, gorda, estranha, estava cheia de estrias e “desajustada” (alguém havia me dito isso?) Eu….

Nos comercias de TV passavam mulheres lindas no bar e homens babando enquanto a “patroa” resmungava no sofá e eu pensava “Que triste isso! ” Minha mente já mostrava indícios de que eu não suportaria a pressão.

A licença estava acabando e as pessoas começavam a me perguntar o que eu faria com minha pequena, a mais velha já havia feito um grande tour durante seus primeiros 6 anos de vida (primeiro morava com os pais e os avós paternos, depois com a mãe e os avós maternos, depois com os pais novamente, mas quem cuidava era a tia, depois uma babá, depois meio período com a vó materna e meio período com a vó paterna, depois escola, integral, meio período, UFA!)
Ela ainda estava processando o fato de estar com a mamãe e a irmãzinha e já teria que voltar novamente a uma rotina exaustiva.

E eu tinha que decidir. Eu tinha pouco tempo e não sabia o que fazer.
Mais momentos de angústia, sofrimento, indecisão e “solidão”…. Quem entende os mais puros sentimentos de uma mãe? Somente outra mãe e ninguém melhor que a SUA mãe!

“Filha, se você puder me pagar um pouquinho eu consigo sair do meu emprego e cuidar das suas filhas” Ufa! Que alivio! Como sou grata pela maravilhosa mãe que tenho! Obrigada mamãe!!!

E foram mais 6 anos longe das minhas pequenas, elas eram muito bem cuidadas e estavam bem, mas eu não. Eu nunca conseguia levá-las na escola, não costumava ir nas reuniões de pais (eram em dias de semana) não almoçava com elas, tentava tomar um café da manhã correndo e o jantar era sempre corrido também, elas estavam bem e isso não era um problema para elas, afinal, não conheciam outra realidade.

Mas eu não estava (E por que eu não mudava???) Pelo simples fato de eu não saber escolher…
Não refletia, não questionava, apenas seguia…

Foi ruim? Não! Me trouxe possibilidades para que hoje eu possa estar aqui, mas poderia ter sido antes? Sim, poderia sim! E por que não foi? Porque eu não sabia escolher…

Vivemos em uma sociedade que construiu e aplaude uma mulher-mãe-heroína-perfeita, mas essa mulher não existe e por isso é tão comum ver tantas lindas e corajosas mulheres infelizes e preocupadas por não saberem escolher…
E o que é escolher???

É parar, olhar para dentro de si, mergulhar profundamente e entender o que VOCÊ deseja, almeja, anseia… E ter coragem de admitir, coragem de escolher.

Vejo muitas mulheres mães preocupadas com o fato de ficar “apenas” em casa cuidado do lar e dos filhos (Que mal tem isso???) Submissão…fazer isso me parecia submissão. E eu aprendi a dar um novo significado aos meus conceitos, hoje vejo grande diferença entre ser submissa e ser dedicada e gostar do cuidar (e descobri que esse “ gostar do cuidar” faz parte da minha essência).

Vejo mulheres mães com a autoestima totalmente abalada (e eu fiz parte disso durante muito tempo e ainda estou em processo de ressignificação) por terem marcas que foram ocasionadas pela gestação e não refletem o quanto são sagradas por gerarem vidas (Depois que eu trouxe esse pensamento para consciência me parece tão sem sentido.)

Vejo mulheres mães sem confiança para dizer ao mundo que desejam ficar em casa e cuidar das suas crias, nem que seja por um pequeno período de tempo, pois as “pessoas” vão dizer que elas são acomodadas e que mulher que fica em casa não é valorizada (Porra!!! Mas por quê??? e Por quem???)

E continuo vendo tantas mulheres mães, que trabalham fora, sofrendo com a culpa por não conseguirem equilibrar os pratos, por não acompanharem a vida de seus pequenos, por perderem tanto da evolução deles e por não saberem o que realmente querem, pois elas estão seguindo e não escolhendo – Não me entendam mal, não vejo problemas em trabalhar fora, fiz isso durante muito tempo e em muitos casos é extremamente necessário – O que hoje não aceito mais, é fazer isso com base no julgamento que farão de mim ou com base apenas no medo desse julgamento.

Eu escolhi! Depois de muito tempo eu parei de seguir e escolhi…

Escolhi que eu queria cuidar das minhas filhas, que eu queria levá-las na escola, que eu queria tomar café da manhã junto com elas, que eu queria fazer o lanchinho da escola, que eu queria entender e apreciar cada momento delas.
E o julgamento é cruel, mas eu estou em paz, porque além de escolher, eu fiz essa escolha com base na minha essência.

E o que eu faço hoje?
Além de ser feliz e estar com minhas filhas, eu cuido mais de mim, da minha mente, do meu conhecimento, da minha energia e da minha família.

E o que eu faço hoje para ganhar dinheiro?
Me capacito e procuro meios alternativos. E acredite… O universo está cheio deles e é possível conciliar tudo! O meu significado de realização mudou e as minhas realizações hoje estão além do TER.

E sempre vai ser assim? Não sei… A vida é cíclica e eu aprendi a amar o processo de estar em movimento.

Se sinto falta? Não! Nem por um dia e sabe por quê? Por que a minha alma está satisfeita com as minhas escolhas, ela sussurrou e dessa vez eu ouvi!!!

E você? Está escolhendo ou seguindo? Reflita, você merece isso!

Gostou do texto? Se gostou compartilha ele clicando no botão abaixo.

 

Receba novidades direto no seu email!

Veja também

4 Comentários

  • Responder Juliana Bellini |

    Parabéns por essa vitória!

  • Responder Erliane |

    Adorei o texto, falou profundamente!
    Sucesso!

  • Deixe uma resposta