Comportamento

Por que reclamar da nossa rotina diária não funciona? E como podemos melhorar?

familia

 Você tem ficado maluca com sua rotina diária?

Durante muitos anos a mulher representou um papel coadjuvante no seio familiar, ela era responsável pela procriação, educação dos filhos, administração do lar e cuidados com o marido, porém a partir do XIX isso começou a mudar e durante um bom tempo a mulher travou uma briga grande com a sociedade para fazer valer o seu direito de emancipação.

Hoje vivemos uma época em que a mulher está conquistando papel significativo no mercado de trabalho e fazendo valer a sua independência financeira e pessoal, no entanto além de assumirmos responsabilidades cada vez mais pesadas, aglutinamos funções e não nos esquivamos das tarefas que executávamos naquela época, como a de ser mãe, esposa e dona de casa. A cultura patriarcal deixa uma lacuna gigante no papel da mulher e essa, por sua vez, sofre com a falta de ajuda e apoio para seguir sua rotina diária.

Ao se colocar em diversos papeis, durante o dia a dia, a mulher inicia uma batalha enorme consigo mesma. Não é difícil encontrar muitas de nós cansada, frustrada e com sentimento de culpa (por não desempenhar tão bem todos os papéis). Fazer esse todo é impossível sozinha e se culpar é tão nocivo quanto querer dar conta de tudo. Não estou aqui para julgar, ao contrário, o que mais desejo é que possamos refletir juntas, nesse texto, sobre a importância de criarmos consciência da nossa responsabilidade e limitação no seio familiar, a gente não é obrigada, não pode, não consegue e não precisa ser TUDO para TODOS a todo momento.

A sociedade precisa se conscientizar e nós fazemos parte dela, vamos juntas fazer a nossa parte de desconstrução?

Mesmo que as tarefas domésticas e a educação dos filhos, executadas por homens, tenham aumentado ao longo dos anos, a mulher ainda é parte predominante nesse aspecto, pesquisas feitas com casais americanos pela Pew Research Center mostram que a partilha das tarefas domésticas está em terceiro lugar, quando se é questionado o que é necessário para se ter um casamento feliz, ficando atrás apenas de fidelidade e do sexo, eu acredito que aqui no Brasil não é diferente, isso demonstra a importância que devemos dar a situações corriqueiras como essas para se construir uma relação melhor e mais feliz com nossa família.

Eu sou totalmente a favor de uma casa organizada e limpa, na minha opinião, a casa é uma extensão nossa, cuidar da própria casa é tão inevitável e indispensável quanto cuidar do corpo e da mente, a casa organizada e limpa me traz a sensação de bem-estar, também sou totalmente maluca por cuidar das minhas filhas, eu realmente gosto do cuidar delas, isso não é e nunca foi um problema para mim, além disso me considero uma mulher apaixonada e por isso gosto de me dedicar a minha família e ao meu trabalho com o meu melhor.

Porém, ao longo do tempo, comecei a identificar em mim um padrão inconsciente que não me favorecia em nenhum aspecto, eu estava “bitolada” com a casa, com a educação das minhas filhas, a relação com o meu marido e com o meu trabalho, querendo fazer tudo perfeito e com todas as tarefas sob minha responsabilidade, eu não sabia delegar, eu não sabia dividir, eu sabia pedir…e ele, meu marido, por sua vez, estava confortável em sua posição e sem consciência alguma dos problemas que estávamos cultivando.

Eu me sentia sobrecarregada e consequentemente só vivia reclamando do quanto eu estava cansada e o quanto era difícil conciliar tudo, identifiquei que eu queria ser reconhecida por tudo e como isso não acontecia, eu me frustava, não só pela falta de reconhecimento, mas pela exaustão, eu não entendia, não tinha consciência, não havia sido criada para dividir e compartilhar, eu fui educada e criada para cuidar. Acreditava ser obrigação minha tudo aquilo, e como não conseguia, sofria.

Em determinado momento eu me dei conta que estava esquecendo, com todo esse acumulo de coisas, o mais importante de tudo: EU.

Como posso cuidar de tudo com maestria se não cuido nem de mim mesma? Se não consigo sequer refletir sobre os acontecimentos e enxergar possíveis soluções? E mais, quero cuidar de tudo e ser a  mulher maravilha? E quem cuida de mim? E quem divide comigo? Quem compartilha comigo? Afinal o que eu sou? Uma máquina de FAZER?

Foi aí que comecei a refletir sobre o todo, cada vez que eu me questionava e me perguntava se fazia sentido ou por que eu estava pensando e agindo daquela forma, eu criava mais a mais consciência da loucura que era tudo aquilo.

Retomar o nosso poder é maravilhoso, seja para não se colocar como vítima das situações e agir, seja para ser ativista em uma causa que faz sentido e vai ajudar a todos, seja para criar formas de melhorar a nossa rotina diária, seja para ajudar na consciência que precisa ser criada na sociedade machista em que vivemos…

Não tenho a pretensão de te escrever aqui o que é ou o que não é o mais correto de se fazer, não tenho fórmulas prontas, até porque não acredito que elas existam, o que eu acredito é que toda família possui um contexto que precisamos considerar, sendo assim, nem  sempre o que é melhor para nós (família aqui) será para vocês (família aí).

Contudo, o que trago aqui no texto são inspirações e reflexões sobre a forma como criei consciência sobre alguns sentimentos e pensamentos enraizados e como isso me ajudou a lidar melhor com parte desses sentimentos e atitudes que me faziam mal, faziam mal para a minha evolução e desenvolvimento e, por consequência, faziam mal para minha família e para sociedade como um todo. A forma como construo a minha família, a forma como você constrói a sua, contribui para as futuras gerações e cria a nossa sociedade, desenvolver consciência é muito importante, estou nesse caminho, e te convido a vir comigo. Não estou te convidando a carregar esse peso, não, não é isso, estou te convidando a se manter presente para o todo, de dentro para fora, primeiro você, depois o outro e depois o mundo. Vem comigo?

#6 atitudes que mudaram minha vida

#1 – Abandone o ideal de perfeição:

perfeição

 

“ Para mim e para muitos de nós, o primeiro pensamento do dia, ainda na cama, é: “Não dormi o suficiente. ” O seguinte é: “ Não tenho tempo suficiente. “ Esse pensamento de não suficiência vem a nós automaticamente, antes mesmo de podermos nos dar conta de sua presença ou examiná-lo. Passamos a maior parte de nossas vidas ouvindo, explicando, reclamando ou nos preocupando com o que não temos em quantidade ou grau suficiente. (…) Antes de nos sentarmos na cama, antes de nossos pés tocarem o chão, já nos sentimos inadequados, já ficamos para trás, já perdemos, já demos falta de alguma coisa. E quando voltamos para cama à noite, nossa mente recita uma ladainha de coisas que não conseguimos ou não fizemos naquele dia.” Trecho do livro The Soul of Money (A alma do dinheiro) de Lynne Twist.

Esse texto resume bem a forma como lidamos com o dia a dia, acordamos querendo fazer tudo e vamos dormir frustradas por não conseguir.

Isso também acontece com você?

O ideal de perfeição que criamos em nossa mente não ajuda em nada, apenas fará com que você se frustre e se sinta inadequada.

Abrace a sua imperfeição, ela existe! Você não consegue dar conta de tudo, é humanamente impossível, a única coisa que conseguirá com esse ideal é o sentimento de culpa, a revolta e a vitimização e isso acaba com a sua autoestima e com o bom relacionamento que você merece ter com sua família.

Você não é perfeita, você é você, com muitas habilidades e também com muitas fraquezas, não acorde já pensando no que precisa fazer e não durma se culpando por aquilo que não fez.

Acorde agradecendo pelo seu dia e durma sendo grata por tudo que conseguiu fazer. Dê o seu melhor e se precisar ajustar algo, ajuste, mas abandone o ideal de perfeição, ele não é desse planeta.

#2 – Defina o que é prioridade:

Defina prioridades

Você é mãe e a sua prioridade são seus filhos? Você é solteira e a sua prioridade é você? Você é casada e a sua prioridade é o seu relacionamento? Você é mulher e sua prioridade é o seu trabalho?

Entenda, você é um ser humano e as suas prioridades vão mudar, hoje você tem como prioridade o seu relacionamento, daqui a alguns anos pode ser o seu trabalho e mais alguns os seus filhos, isso é natural e maravilhosamente bom, passe por todas as fases e curta-as com toda intensidade.

O que você precisa fazer hoje é definir quais são as suas prioridades no momento, para assim não se perder em sua rotina. Defina o que é prioridade e mantenha o foco no que é mais importante naquele momento.

Se a sua prioridade, no momento, é você (pois se sente estressada, cansada e desanimada) cuide disso nas primeiras horas do seu dia, se energize, faça coisas que possam melhorar a sua autoestima e aumentar a sua energia. Veja aqui como aumentar a sua autoestima.

Se a sua prioridade é o seu trabalho, pois você tem um projeto importante para terminar, destine mais tempo do seu dia para esse projeto e faça, você só precisa começar. Veja aqui como acabar com a procrastinação.

Se a sua prioridade é o seu filho (que é pequeno e precisa da sua atenção) esqueça a casa, esqueça os projetos e foque no cuidado com ele, você não se arrependerá e isso não durará muito tempo, defina como prioridade e aproveite o momento.

O restante das tarefas você administra, o foco e o tempo maior, destine ao que é prioridade.

 #3 – Adeque o seu “time” para que todos estejam na mesma direção e compartilhe dos objetivos.

Adeque seu time

Você já sabe que não dará conta de tudo, ok? Já aceitou essa imperfeição e já definiu prioridades?

Então agora faça uso da comunicação (algo que poucas famílias fazem) e defina quais os objetivos e expectativas de todos em casa.

Não tenha medo ou ache estranho, vocês (e quando digo vocês, são todos mesmo, marido, filhos, ajudantes, etc.) precisam saber o que um espera do outro, a mulher se sente sobrecarregada, mas em muitos casos, não expõem o que sente, não conversa, não diz o que deseja e o que espera, lembra quando eu falei sobre primeiro você, depois o outro e depois o mundo? Comece por você, é sempre mais fácil, você não pode e não vai dar conta de tudo nunca, então seja franca com os seus e se imponha no sentido de dizer o que você pode/quer fazer e o que não pode/não quer fazer.

Diga o que você espera e o que precisa do restante da família, seja franca, compartilhe seus objetivos, ouça os objetivos do outro e ajuste junto com eles o que melhor se encaixa na rotina de vocês.

Eu acredito no poder da comunicação sincera e tenho certeza que com apenas essa mudança de atitude, você já melhora e muito a sua relação consigo e com a sua família. TENTE.

#4 – Delegue tarefas e distribua adequadamente se assim achar necessário.

Delegue tarefas

Eu, por muitas vezes, errei em delegar tarefas no meu lar, inúmeras vezes absorvi todas as tarefas e as poucas vezes que eu delegava elas não estavam corretamente adequadas e advinha o que acontecia? Não faziam e quando faziam o estresse e os desentendimentos reinavam em nosso lar.

Se a gente parar para pensar o mais correto de tudo é: Quem sujou limpa, quem comeu lava, quem quer faz… Não é ?

Mas a gente sabe que em muitos casos isso não acontece dessa forma, o que fiz por aqui e que deu certo foi delegar adequadamente, eu percebi que algumas coisas não rolava para minha filha mais velha com tanta facilidade, o mesmo com meu marido, mas isso não poderia ser justificativa para tudo ficar sobre minha responsabilidade, então, depois de muitos desentendimentos, eu mesma criei algumas regras e distribui tarefas.

Percebi, por exemplo, que para meu marido trocar a lâmpada queimada ou ajustar os varais de teto, arrumar as portas do armário, era um desgaste de energia tremendo, ele simplesmente não tem o menor jeito com isso. Quando eu morava com meus pais, esse trabalho sempre foi “coisa do homem”, por isso, era natural eu querer que ele desempenhasse esse papel, eu não me conformava em ter que fazer isso, tendo ele em casa, era um absurdo, mas isso só acontecia porque eu fui criada assim, entende? Eu trouxe os meus valores para nossa casa e não pensava sobre isso fazer ou não sentido.

Então o que faço hoje? Troco eu mesma (Ué! Qual o problema?) E quando o reparo é mais especifico ou a gente chama um profissional ou o meu papai nos ajuda (rs). No entanto, cozinhar aqui em casa é “coisa de homem” quem sempre está na cozinha é o meu marido SIM e ele simplesmente se dedica, então para que sofrer com o contrário? Não faz sentido certo?

Se eu pedir para minha filha mais velha ir ao mercado, por exemplo, ela já começa a resmungar e a minha paz vai embora, então deixo as tarefas de organização para ela, ela adora arrumar as compras no armário, colocar a mesa e organizar as coisas.

Pronto! Parece fácil né? Não é tá? Mas é simples, é só a gente pensar e questionar alguns padrões que carregamos ao longa da nossa vida, como isso? Se perguntando: Por que desejo que seja assim? Isso me ajuda com o todo ou me atrapalha? O que posso fazer no lugar disso que melhorará a  minha vida e a minha rotina?

#5 – Sem sofrimento e sem culpa.

Sem culpa

Se nada do que você fez até agora melhorou a sua rotina, se as tarefas ainda estão acumuladas, se você não conseguiu ainda o que deseja, fique em PAZ, não sofra e não se culpe.

Alguns estudos dizem que um comportamento se torna hábito após 21 dias de tentativas consecutivas, outros dizem que são 66 dias, comigo acontece em 21 dias, com você pode ser diferente, você precisa testar para saber, mas o que você não pode fazer é sofrer e se culpar por não conseguir de imediato, é desumano você passar boa parte da sua vida tendo um determinado comportamento e quando tenta mudar e falha, sofre e se culpa. A conta é injusta.

Não se culpe por não ter conseguido, não se culpe por não ter tentado, não sofra por não dar conta, não sofra por ter passado dos limites, ao invés disso, observe a sua atitude, o seu comportamento e tente ajustar. A diferença entre culpa e responsabilidade é que a culpa é o sentimento originado da ideia de que as coisas têm que acontecer como você quer e responsabilidade é assumir que você é responsável por suas atitudes. Seja responsável, mas não se culpe.

Um exemplo da diferença entre culpa e responsabilidade é: Ao invés de dizer ou pensar que “poderia ter sido diferente, poderia ter feito diferente, que você não é bom nisso, que só erra. ”  Pense/reflita: “ No que errei? O que devo ajustar? Como posso melhorar? Essa é a diferença e você pode praticá-la. Sempre tendo você como base, porque a gente tem controle sobre nós e sobre a forma como respondemos aos acontecimentos, sobre o outro e sobre os acontecimentos externos a gente não tem controle algum, então faça o que pode com os recursos que você tem.

Não ponha tudo a perder sofrendo e alimentando sentimento de culpa, como já dizia Dalai Lama:

“Se o seu problema tem solução, então não há com que se preocupar. Se o seu problema não tem solução, toda preocupação será em vão. ”

#6 – Cuide de você.

Cuide de você

E por fim, não esqueça de você, sem o seu equilíbrio nada do que foi escrito acima faz sentido.

Procure por coisas que a façam feliz e não deixe de praticar, se permita pensar, refletir, você tem uma energia e uma capacidade incrível de mudar sua vida para algo mais vibrante, mais feliz.

Se dê a oportunidade de estar em silêncio uma parte do seu dia, pode ser por apenas 5 minutos, para que olhe para dentro de si e saiba o que deseja. Se dê a oportunidade de agradecer, se dê a oportunidade de comemorar o seu desenvolvimento, se dê a oportunidade de rir e se dê a oportunidade de errar também.

Você não é responsável por tudo, você, como todos da sua família, merece ser FELIZ e estar ALEGRE todos os dias, você merece bem-estar, merece ser amada e merece estar disposta e você pode tudo isso, precisa apenas ACREDITAR e AGIR.

A gente merece pensar sobre como nos comportamos e como isso reflete na nossa vida e nos nossos resultados, se não está bom, vamos fazer algo para tentar mudar. Protagonizar a nossa rotina diária e trazer consciência para nossa família é muito importante, consciência de que a união, o amor, a contribuição e a igualdade é a solução para a melhor convivência e para paz, nossa casa é nosso porto seguro, nossa família é um bem maravilhoso, então por que não podemos tentar novamente? E dessa vez com mais contribuição mutua?

Que tal?

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