Comportamento

Transformações por meio do autoconhecimento

A Importância do autoconhecimento e a contribuição da Psicologia Positiva nesse processo.

A primeira vez que fiz o VIA – Inventário de forças Pessoais – (Teste online autoaplicável que tem como objetivo identificar nossas forças pessoais) foi nesse ano de 2015 quando iniciei minha primeira formação de Coaching Positivo pelo IPPC. Quando recebi o resultado e li a primeira força pessoal como Inteligência Social, descrita da seguinte forma: “Você é uma pessoa consciente das motivações e sentimentos das outras pessoas. Sabe o que fazer para se adaptar a diferentes situações sociais e consegue deixar os outros a vontade. ” Pensei: “ Não faz o menor sentido! ”.

Um dos temas centrais da Psicologia Positiva é a proposta de focar em nossos pontos fortes e positivos. As forças e virtudes do caráter – Que se baseiam em estudos coordenados por Martim Seligman, PhD e Christofer Peterson, PhD, que procuraram um consenso sobre as virtudes em diferentes culturas, religiões e filosofias – são capacidades pessoais preexistentes que quando fazemos uso nos sentimos energizados, são recursos internos que também nos ajudam na superação de cada problema ou desafio que temos em nossa caminhada.

Isso eu já havia estudado e sabia, mas como poderia eu, que me considerava uma pessoa tímida e introvertida, ter Inteligência Social como principal força? A frase “Sabe o que fazer para se adaptar a diferentes situações sociais e consegue deixar os outros a vontade.”  Não me deixava confortável, eu não me enxergava dessa forma, muito pelo contrário, como uma típica introvertida me via totalmente desconexa e perdida em algumas situações sociais.

Terminei minha certificação com uma sensação estranha sobre aquela força, e sendo ela a minha principal força, isso realmente me incomodava.
Nessa época eu já havia iniciado minha jornada de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, talvez por conta disso e dos insigths que tive na minha formação, comecei a me observar e tentar identificar melhor as minhas principais forças. Mas a Inteligência Social era algo que ainda me intrigava, pensando nisso resolvi fazer o VIA novamente alguns meses depois e adivinha? Lá estava ela como primeira força novamente. As outras forças até mudaram um pouco de posição, nada muito controverso, mas aquela que me intrigava continuava no mesmo lugar.

Decidi então estudá-la melhor para entender e poder fazer uso desse talento de forma a favorecer o meu desenvolvimento, eu não podia negligenciar isso, antes de promover e motivar essa percepção no outro eu precisava e merecia fazer isso comigo mesma.

Nessa busca encontrei uma tradução que mexeu mais comigo, através dela passei a ter uma percepção e um sentimento melhor em relação a minha principal força, as coisas começavam a ficar mais claras:

“Inteligência social aqui é entendida como a habilidade de processar informação emocional (hot intelligence), tanto de origem interna quanto externa. Diz respeito à capacidade de entender e administrar emoções; avaliar de forma acurada seus próprios sentimentos, emoções, desempenho e motivos; agir sabiamente em relacionamentos; identificar conteúdo emocional nas expressões e gestos dos outros e usar esta informação para facilitar as interações.”

Após essa litura comecei a me observar ainda mais e logo me identifiquei claramente nessas condições, principalmente nas externas.

Eu sempre tive uma sensibilidade extremamente aguçada em relação aos sentimentos, gestos e entonações alheia, me sentia até mesmo mal por isso, identificar o que o outro estava sentindo, por muitas vezes, me trazia tristeza e raiva, e eu não sabia o porquê de isso acontecer.

Identifiquei, após a minha auto-observação e após os meus estudos sobre a Psicologia Positiva, que eu estava dosando de forma desequilibrada minha principal força, ao invés de identificá-la e usá-la ao meu favor, eu estava me identificando totalmente com ela, percebi que isso me desgastava, e mais que isso, por conta desse meu sentimento (sobre o que o outro sentia) e da minha percepção sobre isso (imaginar o que os outros pensavam) eu me angustiava e me retraía diante de algumas situações sociais novas, usar a minha principal força de forma desequilibrada aumentava a minha introspeção e a minha timidez. Além disso, devido a minha “ignorância” sobre como eu poderia facilitar as minhas interações quando me colocava no lugar do outro, eu estava gerando problemas em meus relacionamentos, principalmente familiares.

Me colocar no lugar do outro havia se tornado um problema, eu realmente sentia muito e queria muito resolver situações alheias que não estavam em minha alçada, mas essa manifestação turbulenta era apenas interna, muitas vezes me incomodava a forma como uma pessoa tratava uma terceira, me incomodava tanto que eu me entristecia ou ficava com raiva dessa pessoa, eu sentia intensamente o que a terceira pessoa estava sentindo, eu realmente tinha a nítida sensação de saber o que se passava com ela, numa simples conversa trivial ou em uma reunião de trabalho essas sensações estavam presentes, quando se tratava de alguém próximo era ainda mais forte.

Entendi então que o fato de eu não me conhecer o suficiente fazia com que eu usasse inadequadamente a minha força, e por isso, não sentia ela como algo que iria me ajudar a florescer.

Por outro lado, através dessa minha reflexão, também relembrei fatos importantes e positivos no qual estavam presentes a Inteligência Social:
Fui durante muitos anos executiva de contas e trabalhava na área comercial, tendo no relacionamento com pessoas a minha maior habilidade, nunca fui agressiva e extrovertida, talvez fosse até estranho para aqueles da área que eu me saísse tão bem em meus resultados, nem eu mesma sabia da onde vinha essa minha habilidade, já que os melhores vendedores tinham perfis totalmente diferentes do meu.

A minha capacidade de entender os meus clientes na sua mais profunda dor ou necessidade, fosse ela profissional ou pessoal, era gigante. Eu criava relacionamentos duradouros com esses clientes e era sempre lembrada por eles, consegui perceber nessa minha reflexão que a empatia que eu gerava era uma das principais responsável por isso, eu realmente gerava experiências especiais entre nós e sem precisar usar de técnicas de vendas habituais do mercado corporativo, e que já eram tão maçantes para os clientes. Acredito que esse era o diferencial que me fazia ter resultados tão significativos nas empresas onde trabalhei. Mas eu nunca parei para pensar sobre isso, eu não me conhecia, vivia no automático, pensar sobre isso era perda de tempo.

Só depois de conhecer a Psicologia Positiva e me aprofundar no meu autoconhecimento que eu consegui enxergar a Inteligência Social como uma verdadeira força pessoal e comecei a entender que eu poderia usá-la a meu favor. Um verdadeiro “superpoder” – Ouvi esse termo da Lilian Graziano por várias vezes e só depois de um tempo consegui assimilar e entender como isso é verdadeiro e profundo – Algo muito forte que me caracteriza como pessoa única nesse universo, algo muito especial que tenho e que me energiza quando utilizo de forma consciente e equilibrada.

Pessoas com inteligência social tem a “estranha” capacidade de captar indicações não verbais sutis, de decifrar a linguagem corporal das pessoas, a entonação e as expressões faciais. Percebem se alguém que está sofrendo deseja falar sobre sua perda ou gostaria de ser distraído por uma fofoca qualquer. Sabem discernir entre dar apoio moral a um colega que foi repreendido pelo chefe ou deixá-lo sozinho, porque entendem a vontade do outro. Notam se um filho que sofreu sua primeira rejeição com amigos quer conselhos ou prefere entender isso sozinho.

Descobri que a minha sensibilidade aguçada diante do estado emocional dos outros é fundamental para a empatia e a compaixão. E que quando eu estou vivenciando essas duas emoções positivas entro em FLOW e me sinto extremamente realizada.

Eu simplesmente me encontrei com algo que me parecia tão estranho, identificar, entender e dosar essa força simplesmente me libertou, hoje me sinto maravilhosamente bem quando percebo estar fazendo uso dela, e mais que isso, uso ela para verdadeiramente entender a mim, o outro e o mundo.

Ainda tenho as minhas “loucuras” quando me pego querendo resolver situações do outro por identificar que esse outro está sofrendo, mas agora consigo me perceber melhor e identificar que estou me cobrando por questões que eu não posso resolver e comecei a ressignificar isso tendo em mente que esse outro é competente o suficiente para resolver seus problemas. Hoje eu entendo o porquê de isso acontecer e conduzo minha emoção para a aceitação e a confiança, isso me traz a paz que eu tanto busquei.

Também identifiquei que a minha principal força é um dom a ser utilizado de forma expressiva e genuína no meu atual trabalho e que também traz muitos benefícios para aqueles com quem convivo, eu verdadeiramente me conecto com o outro e consigo entregar o meu melhor naquele momento único. E isso realmente me realiza e me conecta com a minha missão de vida.

Descobri que as minhas principais forças como a Inteligência Social e a Capacidade de Amar e ser Amada são marcas de alguns dos maiores professores, terapeutas e demais profissionais que dedicam a vida a cuidar dos outros e isso me encheu de alegria, já que sempre tive essa necessidade interna e não tinha muita clareza sobre ela.

Hoje eu faço escolhas mais consciente e que estão totalmente alinhadas com o meu verdadeiro EU e isso faz com que eu me sinta feliz e plena, a evolução e a minha busca por ser a melhor versão de mim mesma é contínua e sei que esse foi só um dos passos da minha linda jornada de florescimento, mas foi um grande passo e eu agradeço por ele todos os dias.

Vejo o autoconhecimento como a libertação para escuta do meu chamado, sem mergulhar profundamente eu não teria conseguido perceber o que tenho de melhor a oferecer, os meus pontos positivos poderiam ter sido negligenciados por toda a minha vida e o mundo perderia muito com isso.

Infelizmente não aprendemos isso na nossa formação educacional ou familiar, em nenhum momento do nosso desenvolvimento somos orientados a olhar para dentro, na nossa atual sociedade não existe valorização quanto a importância desse “mergulho interno” e por isso é tão comum ver pessoas tão talentosas e perdidas.

Sem entender a si mesmo será muito mais complicado encontrar o seu propósito de vida e se sentir verdadeiramente realizada, o autoconhecimento é fator predominante para que possamos desfrutar de uma vida com mais significado e mais felicidade, e a Psicologia Positiva veio para nos ajudar com esse caminho.
Se permita buscar e encontrar a si mesmo. A vida está esperando por essa sua decisão. E você merece uma vida mais feliz 😉

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